segunda-feira, 1 de junho de 2026

História do Hotel Central de Lavras, origem do Vitória Palace Hotel

História do Hotel Central de Lavras, origem do Vitória Palace Hotel

O Hotel Central de Lavras foi, por mais de meio século, um dos principais estabelecimentos hoteleiros de Lavras e um importante ponto de referência na história da cidade.

Origem do imóvel

Houve, na virada do Século XIX para o Século XX, um “Hotel Central” pertencente a Saturnino de Pádua (1897), a José Moreira de Alvarenga (1904) e à firma Barbosa & Guimarães (1905). Ainda não está claro se se tratavam do mesmo estabelecimento comercial com diferentes proprietários, ou mesmo diferentes edificações com o mesmo nome.

O “Hotel Central de Lavras” mais lembrado era originalmente um sobrado pertencente à família Novais. Por volta de 1906, Evaristo Alves de Azevedo adquiriu o imóvel, comprando as partes dos herdeiros de dona Maria Novais. Após reformas, o solar teve como primeiros moradores o dr. Lisâneas Cerqueira Leite, chefe de tráfego da Estrada de Ferro Oeste de Minas, seguido pelo professor Santiago Matila Alvarez d’Arelanos e, posteriormente, pelo sr. Custódio Carlos Pereira.

Nascimento do Hotel Central

Foi Custódio Carlos Pereira quem transformou o sobrado no Hotel Central, dando início à vocação hoteleira do imóvel. Mais tarde, o negócio passou para as mãos de Gastão da Costa Maia (1869-1928), avô do museólogo Ângelo Delphim. Gastão ampliou o estabelecimento construindo, em 1915, um prédio anexo mais baixo. Em fevereiro de 1917, durante a passagem pela cidade da Companhia Rotoli-Biloro, o maestro Ricciotti Volpe improvisou um hotel temporário no local, utilizando móveis e roupas de cama emprestados dos colégios locais. Posteriormente, Gastão Maia transferiria o hotel para sua residência na Rua Sant’Ana, n. 8, onde continuou funcionando por um período. 

Período de transição (1917-1930)

Em 1921, o Hotel Central voltou para o endereço na Praça Dr. Augusto Silva, sendo propriedade de Manuel Maciel F. Noronha. O hotel possuía “excelentes acomodações para os senhores viajantes e excelentíssimas famílias. Cozinha de primeira ordem, dispondo para isto de verdadeiro mestre culinário. O estabelecimento dispõe, para bem servir a sua boa freguesia, de um número de decente e habilitado pessoal. Completo sortimento de bebidas, conservas, cigarros e charutos. Bons animais para aluguel, bons pastos, carroça para transporte de malas, etc. Ótima instalação sanitária. Diária 7$000. Estabelecimento iluminado a luz elétrica. Banhos quentes e frios. Praça Dr. Augusto Silva. Telefone n. 36. Parada de bonde à porta”. 

Ainda na década de 1920, o hotel foi administrado por outros proprietários, como Joviano Teixeira, de Pedra Negra, que o vendeu ao viajante Abner Coelho, residente em São João del-Rei. Abner transferiu a administração ao seu auxiliar, Sebastião Rodrigues.

O incêndio de 1930

Nas vésperas de São João, em junho de 1930, um incêndio destruiu o prédio principal do hotel. Diante do ocorrido, Sebastião Rodrigues decidiu deixar Lavras, após adquirir o tradicional Hotel Careca, em Barra Mansa (RJ).

Apesar do incêndio, o Hotel Central continuou funcionando, pois a parte nova foi salva. Além dessas instalações, utilizou-se também um prédio da municipalidade localizado do outro lado da praça.

Reconstrução e fase moderna

Como a família Alves de Azevedo era proprietária do imóvel, Artur Azevedo, o “Tuzinho”, e Noemi assumiram a exploração do hotel. Foi construído um novo prédio, que se tornou um dos mais bem avaliados da região. Artur Azevedo permaneceu até 1946, quando se mudou para Belo Horizonte.

Depois dele, o hotel passou rapidamente por Henrique Fontes Pinto e, em seguida, para Newton Teixeira. Teve como gerentes nomes como Herbert Malfitano, Ari Teixeira e Alcides Alvarenga.

Nas décadas seguintes, o estabelecimento ainda pertenceu a dona Maria da Costa Reis e, por último, a João Tristão de Oliveira, que também explorava o ramo hoteleiro em Belo Horizonte (Hotel Lavras). Foi sob sua administração que o Hotel Central encerrou definitivamente suas atividades em Lavras, em 1970.

Vitória Palace Hotel

Em 28 de janeiro de 1954, Enio Wilden (1930-2018) inaugurou a Casa Vitória, especializada em tecidos e enxovais, em prédio ao lado do Hotel Central. Após o fechamento deste, o empresário resolveu expandir sua atuação para o ramo hoteleiro, convidando o arquiteto Evandro Menicucci para reformar o edifício com fachada em estilo colonial. Foi assim que inaugurou, em junho de 1973, o Vitória Palace Hotel, que desde então se tornou referência em hospedagem em Lavras.

Nenhum comentário:

Postar um comentário