domingo, 22 de fevereiro de 2026

(2020) Revista do Patrimônio Cultural de Lavras, n. 1

Revista do Patrimônio Cultural de Lavras, n. 1 (Edição do Tricentenário)

Lançada no marco do tricentenário de Lavras (1720-2020), a Revista do Patrimônio Cultural surge como um herdeiro espiritual da antiga "Lavras Cultura", buscando preencher um vácuo de quase duas décadas nas publicações memorialistas locais. Sob a edição de Geovani Németh-Torres, a obra mobiliza uma massa crítica de 46 autores, desde acadêmicos a estudantes, para registrar e difundir a identidade municipal. O prefácio, assinado pelo arquiteto e paisagista Carlos Fernando de Moura Delphim (IPHAN), evoca o conceito de patrimônio como uma herança mágica e afetiva, alertando para a necessidade urgente de proteger a paisagem urbana e a memória coletiva contra a descaracterização imposta pelo crescimento desordenado.


Destaques da Edição

No campo do Patrimônio Material e Paisagístico, a revista apresenta estudos profundos sobre a Igreja do Rosário, analisando desde a talha de Joaquim José da Natividade até os desafios técnicos do restauro da pintura "Verônica". O paisagismo histórico é debatido através das Praças Dona Josefina e Dr. José Esteves, enquanto a memória do transporte urbano é resgatada em um artigo sobre os antigos bondes elétricos. Complementando a seção física, inventários de bens móveis e análises sobre a arquitetura de proteção reforçam o papel da conservação técnica.

A seção de História e Arqueologia traz revelações sobre a ocupação Aratu-Sapucaí nas áreas de Lavras, recuando milênios na pré-história regional. A economia colonial é explorada através da mineração de ouro e da trajetória de Bueno da Fonseca, além de registros sobre crimes coloniais e a história de antigas capelas de distritos como Ingaí e Perdões. Temas da modernidade também são abordados, como a história da imprensa lavrense, os impactos dos incêndios criminosos em casarões antigos e o incidente envolvendo padres alemães durante a Segunda Guerra Mundial.

A Educação e o Patrimônio Imaterial fecham o volume com discussões sobre o Congado lavrense e a trajetória de instituições centenárias como o Instituto Gammon e a UFLA (antiga ESAL). O legado pedagógico de Firmino Costa e o papel da Academia Lavrense de Letras são revisitados, acompanhados de experiências de educação patrimonial em escolas públicas. A revista inclui ainda uma seção literária dedicada aos ipês e à passagem de Carlos Drummond de Andrade pela cidade, consolidando um panorama documental sobre a política municipal de museus e arquivos.

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