Prof. José Luiz de Mesquita e a Preservação da Igreja do Rosário de Lavras
A preservação da Igreja de Nossa Senhora do Rosário em Lavras — a única em todo o Sul de Minas tombada em nível federal pelo IPHAN — não foi um processo pacífico. Este livro eletrônico, de autoria do historiador Geovani Németh-Torres, narra a intensa disputa ocorrida na década de 1940, quando interesses progressistas, especuladores imobiliários e parte do poder público pressionavam pela demolição ou alteração do templo. O marco legal desse embate foi o Decreto-lei n. 25 de 1937, cujas diretrizes foram aplicadas para garantir a integridade da edificação contra os interesses dos potentados locais.
O protagonista desta resistência foi o Professor José Luiz de Mesquita (1887-1967). Atuando como o principal "advogado" da igreja, Mesquita demonstrou uma liderança comunitária inabalável, sintetizada em sua célebre frase: "Essa chave só entregarei ao Serviço de Patrimônio Histórico". A obra funciona como um complemento ao documentário lançado em 2025, resgatando artigos revisados da Revista do Patrimônio Cultural de Lavras para inspirar as gerações atuais na defesa contínua de nossos monumentos contra o abandono e a especulação.
O Embate pela Memória
A narrativa reconstrói o cenário político e social de Lavras nos anos 1940, detalhando como a Igreja do Rosário se tornou o centro de uma contenda entre a tradição e um conceito distorcido de progresso. O texto explora o papel das instituições federais de patrimônio e a mobilização da sociedade civil liderada pelo prof. Mesquita, que compreendia o valor histórico e artístico do templo para a formação da identidade mineira.
Através de documentos e registros da época, o livro expõe as pressões sofridas e a coragem necessária para enfrentar o poder econômico local. Ao celebrar o legado de José Luiz de Mesquita, a obra não apenas registra o passado, mas serve de alerta para o presente: o patrimônio cultural exige vigilância constante. Este volume é um tributo a quem entendeu que a história de uma cidade não se apaga em nome do lucro imediato, consolidando-se como leitura essencial para quem deseja compreender as raízes das políticas de preservação em Minas Gerais.
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