sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Márcio Salviano Vilela (Entrevista Completa)

Marcio Salviano Vilela - Escritor, músico de formação erudita, e engenheiro agrônomo, pós-graduado em planejamento e interpretação de atividades em áreas naturais - Ecoturismo.


BIOGRAFIA


Meus antepassados, segundo pesquisas realizadas por alguns familiares, indicam que pelo lado materno, a família Salviano, originou-se da Itália sendo, composta de membros da guarda, guerreiros e protetores da sociedade real, que vieram para o Amazonas e o Pará no século XVII e, em seguida para o nordeste e o sul da colônia. E pelo lado paterno, por portugueses da família Vilela, povoadores dos sertões de Minas Gerais no século XIX, que se tornaram fazendeiros de posses em Piumhí e Itapecerica. Meu pai João Carvalho Vilela (in memorian), nasceu no Chapadão, zona rural do município de Candeias (MG), onde seu avô paterno, José Primeiro Vilela, e seu tio-avô, José Segundo Vilela, possuíam fazendas. Era filho de Cândido Alves Vilela, nascido em 1893 e Maria Brasilides Carvalho, nascida em 1890. Passou a infância carreando bois, foi lavrador, plantou alimentos, colheu frutas, e apanhou lenhas no mato. E, em fins de 1938, aos 18 anos de idade, abandonou a fazenda para em seguida ingressar, em 1.º de março de 1940, como voluntário, na Força Expedicionária Brasileira – FEB durante a II Guerra Mundial pelo 11º Batalhão de Infantaria de São João del-Rei, onde permaneceu até o dia 19 de outubro de 1944, tendo, nesta ocasião, deslocado com o Batalhão de Caçadores de Ouro Fino, para o cumprimento de missões de vigilância e segurança no litoral brasileiro. Chegou a Ribeirão Vermelho em 1947, empregando-se no trabalho ferroviário, sendo admitido pela Rede Mineira de Viação – RMV –, em 21 de outubro de 1949, como caldeireiro, vindo a aposentar-se em 30 de setembro de 1980, como supervisor de “turma de pontes” da extinta Rede Ferroviária Federal S/A. Casou-se em Candeias (MG) no ano de 1952, com minha mãe, Bárbara Salviano Vilela (87), filha de Nicodemos Salviano e Zita Bemaventura, neta paterna de Antônio Rodrigues Salviano, violonista, nascido em 1869 e Maria Eufrásia de Jesus; esposa atenciosa, mãe protetora, cuidadosa e dedicada à educação dos filhos, católica fervorosa, cozinheira, quitandeira, artesã, modista, bordadeira e virtuosa costureira. Aos dois, devo a minha existência, educação, instrução e as tradições de família.

À pergunta “quem é Marcio Salviano Vilela?”, pois, eu sou o pai da Leocádia Salviano Fráguas Vilela, minha querida filha. Nasci em Ribeirão Vermelho em 2 de janeiro de 1965. Sou de hábitos modestos e sempre procuro compreender minhas limitações e reconhecer minhas falhas na honestidade de minha consciência, ser aplicado, cortês e atencioso com as pessoas as quais me relaciono.

Iniciei minhas atividades escolares em 1971, quando fui matriculado no pré-escolar, então, Jardim da Infância “Pedro Theodoro de Souza”, instalado no Teatro da Casa São Vicente de Paulo, sendo minha primeira professora, D. Ana Maria Ribeiro Oliveira, de quem recebi as primeiras letras, obediências e deveres escolares.

Em seguida, conclui o grupo escolar na Escola Municipal “Antônio Novaes” e o ginásio na Escola Estadual “Honorina da Rocha Novaes”, ambas em Ribeirão Vermelho. Nesse período, após atuar no quadro de amadores dos titulares do Ferroviário Esporte Clube Ribeirense – FECR, tornei-me jogador de futebol profissional da Associação Olímpica de Lavras – AOL (1982-1984), levado a convite pelo Dr. Henrique A. Pinto, Sr. Walber Ferreira (Bibi) e pelo renomado Técnico de Futebol, Brandãozinho, sendo treinadores da AOL os srs. Vico, sucedido por Ernesto Volrrat, atuando ao lado de Vagão, Rivelino, Zé Pedro, Carlos Alberto Chimbica, Catorta, Di Carlos, Almir, Roberto, Valério, Giovane e vários muitos outros colegas e grandes amigos de destaques do futebol lavrense. Sendo, anteriormente a esta fase, atleta de futebol convocado para a seleção da extinta, Liga Esportiva de Lavras – LEL, entre os anos de 1980 e 1981, e Tricampeão pelo Mickei Futebol Clube, da vizinha cidade de Santo Antônio do Amparo (MG), neste mesmo período.

Após terminar o 2.º Grau no Instituto Gammon de Lavras (1983-1985), por vontade própria, e induzido pelos meus pais e irmãos, passei a dedicar aos estudos e, em 1994, conclui o curso de Engenharia Agronômica pela Universidade Federal de Lavras –UFLA, sendo aluno da última turma a terminar o curso como ESAL, e a primeira a receber o diploma como UFLA, universidade na qual, em 2005, também recebi o título de pós-graduação em Planejamento e interpretação de atividades em áreas naturaisEcoturismo, exercícios técnicos que vem me proporcionando novos conhecimentos e desafios profissionais.

Durante o período universitário, participei de vários eventos culturais promovidos pelo Diretório Central dos Estudantes – DCE/ESAL, destacando-se a abertura da apresentação do grupo, Minas das Minas, da cidade de Paracatu (MG), no Anfiteatro de Química, e as cantorias promovidas no Salão de Convenções, com estudantes e músicos dos estados de Mato Grosso do Sul – Graziela, Flávio e Marcelo Brum –, São Paulo – Luiz Marcelo “Passarinho” e João Camilo, e Minas Gerais – Isaías – in memoriam, além de produzir e apresentar com os universitários, Alexandre Gonçalves, e Paulo Gonçalves, o programa “Engenho de Cordas”, dirigido por José Cristino (in memorian) e levado ao ar pela FM Universitária nas tardes de domingo, com cantorias de Elomar Figueira Melo, Décio Marques, Tavinho Moura, Nilson Chaves, Toninho Resende, Rubinho do Vale, Saulo Laranjeira, Priscila e Ivan Vilela, e muito mais artistas anônimos do cancioneiro nacional.

Em Ribeirão Vermelho, desde o final dos anos 70 até meados da década de 80, fui carnavalesco da extinta Escola de Samba “Fala Quem Quer”, e do Bloco “Sassarico”, na década de 90, quando, em parcerias com o físico Edmar Rodrigues Silva, o músico e artista plástico Flávio Camilo da Silva, e o arquiteto, Gleydson Riff, elaboramos interessantes sambas-enredo e marchas-rancho para o brilhante carnaval ribeirense.

Em 1996, a convite do então Prefeito Municipal Dr. Nilton Lasmar, e seu Vice Tadeu Fernando Pereira Cantão, ocupei-me por seis meses do Departamento de Cultura da Prefeitura Municipal, com o objetivo de articular a recuperação e a remoção, para o pátio do conjunto ferroviário de Ribeirão Vermelho, da Locomotiva a Vapor 315, recebida por mim e entregue ao município em 31 de agosto de 1996, através do Convênio n.º 36/96, firmado com a Rede Ferroviária Federal S/A, bem cultural tombado e magnífico instrumento que marcou a instalação do transporte ferroviário no município de Ribeirão Vermelho, no Estado e no País, e que até então, documenta com exatidão a evolução da tecnologia dos transportes no Brasil.

Em 2003, solicito ao pedido do então, Prefeito Municipal Célio Carlos de Carvalho, colaborei no processo de tombamento dos bens culturais para a instalação da política de preservação do patrimônio cultural de Ribeirão Vermelho, com a criação do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural –COMPAC, membro de equipe técnica, e atuando na realização de levantamentos históricos preliminares. Em 2005, a convite da Prefeita Municipal, Ana Rosa Mendonça Lasmar, retornei ao Departamento de Cultura, no qual elaboro projetos de Educação Patrimonial, ministro aulas de Iniciação ao Estudo do Violão para crianças do ensino fundamental – 3.ª e 4.ª séries – da Escola Municipal  “Manuel Pereira Ramalho” através do Projeto “Ciranda das Seis Cordas” e trabalho nas pesquisas preliminares dos levantamentos históricos do Inventário de Proteção do Acervo Cultural – IPAC de Ribeirão Vermelho.

Para a instalação da mesma política de preservação do patrimônio cultural, tive a honra de ser indicado, e realizar os trabalhos preliminares de levantamentos históricos do município de Ibituruna (o mais antigo lar da pátria mineira) e, posteriormente, em 2006, colaborar em um tempo mínimo com a Superintendência Municipal de Cultura, para os trabalhos preliminares de levantamentos históricos do município de Lavras, para a retomada da mesma política pública pelo setor de cultura.

Sou violonista de formação erudita e por três anos (2003-2006), participei do Quartelavras (quarteto de violões do Centro de Cultura Artística de Lavras) com os meus amigos: maestro, José Maciel, o médico, Dr. José Romeu Alvarenga, e o professor universitário, Dr. Paulo Estevão de Souza, fazendo concertos em igrejas, teatros e salas de espetáculos de Lavras e cidades da região, executando peças de George Frederic Handel, Leopold Mozart, Leonard de Cal, Antônio Vivaldi, Ernesto Nazareth, entre vários outros compositores eruditos.

Sou autor de três livros, de produção independente, relacionados com a história das cidades de Ribeirão Vermelho, Lavras e região: 1.º Sobre Trilhos – Subsídios para a história de Ribeirão Vermelho: 1998; 226 p.:il (esgotado); 2.º Ementário da História de Ribeirão Vermelho: 2003: 256 p.:il. (esgotado) e o 3.º A Formação Histórica dos Campos de Sant’ana das Lavras do Funil, 450 p.:il, lançado em 2007, todos pela editora INDI, da qual devo exaltar os nomes do DR. ANTÔNIO MASSAHUD  e  do Gerente de Produção Editorial, MOACIR DE JESUS, como forma de respeito e admiração pela experiência de vida de ambos, credibilidade e confiança no meu trabalho.

Escrever o primeiro livro Sobre Trilhos – Subsídios para a história de Ribeirão Vermelho foi uma idéia interessante, porque foi concebida no frescor natural da busca do conhecimento histórico de minha querida cidade. E, na ocasião, duas obras de dois memoráveis escritores lavrenses, HUGO DE OLIVEIRA (in memorian) em “Os Caminhos de Josepha Campeira (1983) e PAULO DE OLIVEIRA ALVES (in memorian) em Lavras nos Primórdios do Automobilismo (1992), foram responsáveis de grande importância pela minha motivação e entusiasmo, porque foram trabalhos que me ensinaram a apreciar, em toda sua plenitude, a beleza encerrada em um livro de teor histórico.

A grande realização ao escrever esses livros está na contribuição para o desenvolvimento da percepção das pessoas, fazendo com que elas possam buscar algum tipo de informação e desenvolver o seu próprio raciocínio histórico.

Em ambas localidades esses livros, associados às outras fontes e aos demais existentes, tornaram-se um instrumento de imprescindível importância na discussão, e difusão da educação do patrimônio cultural local, assim como para as ações de implementação de políticas públicas, facilitando a inserção dos municípios no processo de desenvolvimento sócio-cultural.  Temos que ser extremamente muitíssimo gratos com Deus, nosso Pai.


LAVRAS E RIBEIRÃO VERMELHO


Acredito que o quê há em comum entre as histórias de Lavras e Ribeirão Vermelho, repousa nas correntezas das águas do Rio Grande, como unidade geográfica que atravessa o tempo e fecunda essas terras, e como vertente de montanhas, e colinas entre as extintas florestas da Serra da Bocaina, a sua margem esquerda, e as então, matas, da Serra do Senhor Bom Jesus, que posteriormente, passou a ser conhecida como Senhor Bom Jesus dos Perdões, à direita, e naturalmente, o seu contexto histórico compreendido na travessia do Rio Grande, nessas imediações.

As águas límpidas que escorriam de seus afluentes, em especial, da margem esquerda, nas trilhas do Fecho do Funil do Rio Grande, digo, águas do Ribeirão do Registro do Rio Grande, e em especial, do Ribeirão Vermelho, tornou-se então, não apenas águas, mas o sangue de nossos antepassados, pois fala de acontecimentos e lembranças da vida dos povos primitivos desta região dos campos das vertentes, acuados no sertão, escravizados, repudiados ou dominados então, pelo homem branco, ainda, nos primeiros momentos discerníveis, e perpétuos na geografia, da história local.

As primitivas comunicações fluviais através do Rio Grande, carregavam canoas e alimentavam crianças, tanto com sua vizinhança, tanto com os lugares mais distantes, assim como a exploração da lavra de ouro, denominada de Real Grandeza, e encontrada, situada, na então, barrancas do Ribeirão Vermelho, na estrada da madeira, representam processos históricos distintos que caracterizam a ocupação lenta e mansa desta zona, palmilhadas de idas e voltas pelo sul ao primitivo sertão dos catauás, conduzida pelo caminho das águas, através das rudimentares embarcações do Rio Grande, e por terra, por um tal caminho longínquo, aberto, que por um tempo ficou conhecido tão somente por estrada de viandantes, tropeiros, viajantes, padres, autoridades régias, mineradores e aventureiros, que ao aproximar-se do arraial, se transformou numa certa, e inconfundível, Rua Direita, e que seguia para o então, Fecho do Funil do Rio Grande, caminho único, e principal rota por terra durante séculos para se chegar a Lavras pelo norte até a inauguração da variante de Lavras a Fernão Dias, no ano de 1962. Coisas insignificantes da história de Lavras, mas que nos ajuda a pensar a seu respeito como ponto geográfico no convívio de pessoas.

Após as horas históricas mais antigas desses contextos em que cada acontecimento se revestia de uma importância capital, surge as capelas, e em especial, a Capela de N. Sra. Sant’Ana, e as fazendas de gado bovino que se multiplicaram aos arredores e toda sua redondeza. De colônia para o império, em ambas margens do Rio Grande, e mais propriamente no dito, então, Fecho do Funil do Rio Grande, surge à necessidade de uma construção de uma ponte como evolução de uma travessia rudimentar para uma de segurança mais sólida, com tecnologias, da época, capaz de suportar carroças e animais, feita de ferro importado e madeiras. E, na barra do Ribeirão Vermelho, cujas águas se tornaram o sangue de nossos antepassados, o Porto Alegre, em razão do centro comercial organizado as margens do Rio Grande, e em suas proximidades, também os lugares denominados de Passa Tempo e Saudade, hoje, apagados na memória pelo tempo. No romantismo épico que nos remete a observação penetrante do amigo, Eugênio de Souza, seria o Porto Alegre dos Namorados, com a inauguração oficial de uma navegação de 208 quilômetros rio abaixo, no Rio Grande, sucedida pela implantação da Cia. Estrada de Ferro Oeste de Minas – EFOM, em terras do Distrito de Perdões de Lavras, que, afinal, consolidou o território geográfico com a criação do Distrito de Ribeirão Vermelho, na margem direita do Rio Grande, englobando eixos ferroviários aos grandes centros no nascedouro da então, República do Brasil, e promovendo o aparecimento de uma nova cidade com organização político-administrativa própria, denominada de Ribeirão Vermelho.

O Rio Grande nos fala ainda mais dele mesmo quando nós permanecemos atentos a sua realidade quotidiana, suas atividades, sua atmosfera, as diferentes horas do dia, os diferentes momentos dos anos são tão importantes como seus registros históricos, seus folclores, e em especial, suas lendas que se revelam em sua forma real pela experiência e não por adjetivos e valores afirmados por terceiros. Pois, certamente, ainda, são essas coisas que atrai e retém os homens. Uma cidade não existe por si só, e se os homens a construíram foi em resposta às necessidades de uma região, seja esta de segurança ou troca, e sua existência é dinâmica, trazendo conseqüências indefinidas.

Neste espírito de descoberta de uma cidade é onde nos encontramos debruçados diante do resultado da abordagem, da temática e da revelação de significados e relações de fenômenos do ambiente em linguagem entendível às pessoas comuns, pela experiência prática direta e por meios ilustrativos, não se limitando à simples comunicação de informações. Assim, a história se concretiza pela informalidade e encantamento, pela provocação de estímulo, curiosidade, reflexão, e analogias com experiências reais, abordando temas relevantes e polêmicos em seus aspectos normalmente despercebidos e, ou aparentemente insignificantes.  

Obs.: cá entre nós: O Pe. André João Antonil quando da sua passagem pelo Rio Grande, nos deixa uma lacuna cabendo a nós traduzi-la, decifra-la ou descobri-la  Ele menciona que desde as nascentes do Rio Ingaí ao Rio Grande se vai  em quatro ou cinco dias (...)  do Rio Grande se vai em cinco ou seis dias ao Rio da Mortes (...) e fala da violência das águas e fartura de peixes (...) não menciona Ibituruna, que é reconhecida, oficialmente, como “O povoado mais antigo de Minas” pelo Governo do Estado, em 1974, não menciona o Rio Capivari, que recebe as águas do Rio Ingaí, mas, porém, menciona estalagens e fala de descobertas de ouro no Rio das Mortes (...). Se considerarmos a observação da violência das águas e os substantivos Fecho do Funil, que aparece em alguns mapas do século XVIII, e Funil do Rio Grande, na Carta de Sesmaria de 1737, permiti-nos pensar com critério na discussão dessa travessia do Fecho do Funil. Pode-se observar que foram observações curtas, ansiosas para se chegar logo, ao objetivo da viagem: o local em que deveria descrever o El Dourado, a flor da terra, o ouro, o vil metal que faz brilhar os olhos das nações e gerações dos que amam e se entregam ao dinheiro. Porém, observações valiosas em sua grandeza de referência e contos, e se juntarmos com a primazia das referências mais coerentes para os estudos do caminho das minas aberto, e atribuído ao bandeirante Fernão Dias, cuja bandeira foi contratada pela Coroa Portuguesa, para este fim, então, cheia de idas e voltas por alguém, escribas ou autoridades régias, que levava e trazia notícias ao planalto de Piratininga, é que me faz  pensar nos instantes em que antecede, e surge em seguida, o  povoamento de Carrancas, cuja literatura ao concentrar nos problemas dos locais onde, enfim, aconteceram a explosão do ouro, incluem diretamente num tal de caminho velho, por ser utilizado com maior freqüência, fazendo confusão entre os caminhos primitivos das bandeiras entre Lavras, e Carrancas, que certamente surgiu posteriormente, no atalho para o Distrito das Minas, em outro ponto de travessia no Rio Grande, sem passar pelo então, Fecho do Funil e Ibituruna. A princípio, a partir do momento em que a Igreja Católica como membro de organização da Coroa Portuguesa passa a gerar importantes referências sobre alguns apontamentos é que desce uma luz e nos revela algo de concreto sobre a história local. Sobretudo, acredito ser o referido caminho do Fecho do Fecho do Funil, ainda o mesmo caminho do Pe. Antonil, e o mesmo ponto cruzado por Fernão Dias. Entendo que o aparecimento de Lavras, surge com a dispersão dos mineradores do Distrito das Minas, e justamente por ser esse o caminho do Fecho do Funil, digamos, já percorrido várias vezes, e pelo esgotamento do seu principal núcleo aurífero, a lavra denominada de Real Grandeza. Mas ao analisar os substantivos Fecho do Funil, Funil do Rio Grande, Ribeirão do Registro, e em especial, Ribeirão Vermelho, é que me faz pensar, a cá, nas contas do meu rosário, prosseguindo meu raciocínio, sobre esses eventos, anterior e mais remotos de nossa história, principalmente, quanto ao referido caminho da bandeira de Fernão Dias. Infelizmente, foi uma época em que ainda não se gerava documento e burocracia. O ouro, a cobiça, a riqueza fácil, nesse momento da história, prevaleceu, cujas descobertas aconteceram em pontos exclusivos onde o ouro emergia a flor da terra, sendo então beneficiada pelo volume de apontamentos e burocracias. Porém, por outro lado, em detrimento dos delírios extremos num sertão de fome, doenças e crenças, quase que impenetrável fez com que muitas coisas passassem despercebidas, mas que, entretanto, não tira o brilhantismo da dimensão das anotações e dos fatos atribuídos aos primórdios da nossa história local.


PLANOS FUTUROS


No momento, estou escrevendo meu quarto livro, e o terceiro, a respeito da história de Ribeirão Vermelho, que tem como título definido – Minha Aldeia  resultado de três anos e meio de pesquisas no Cartório de Registro de Notas e Imóveis de Ribeirão Vermelho. Uma revelação baseada nas informações registradas naqueles livros fantásticos do cartório local, instalado em 1902, porém, o objetivo principal da interpretação desse trabalho não é a instrução, mas sim a provocação, avivando a curiosidade e o interesse do leitor para que ele se sinta o conquistador de seus novos conhecimentos mantendo o compromisso com a realidade existente entre os diversos fenômenos naturais, históricos e culturais de Ribeirão Vermelho.

E, como violonista, meu caro Geovani, venho estudando com bastante entusiasmo, as peças do Cancioneiro de Elomar Figueira Mello. Na oportunidade, confira em vídeos na internet para você conhecer, merece! Vale a pena! É um compositor universal.

A edição de seu recente trabalho “Os 250 anos da Paróquia de Sant’Ana: Uma História da Igreja Católica em Lavras” desperta o interesse coletivo, impõe respeito às pessoas que valorizam e trabalham com seriedade com a história de Lavras e região, e traz um alerta às autoridades públicas que de forma irresponsável, insistem nos mesmos equívocos que vem cometendo ao longo dos anos ao desprezar  o compromisso real com o patrimônio histórico cultural clássico, digamos, seus valores, sua difusão e a sua própria referência ou identidade cultural. Você ainda poderá se deparar com situações, estranhas, tendenciosas ou esquisitas a respeito de documentações antigas e publicações da história de Lavras, na imprensa local, que já pude observar.  Fique atento. Siga em frente que a história faz parte da anatomia de vocês dois aí! Parabéns pela nobre e louvável iniciativa. Proporcionar, compartilhar conhecimentos e aprender uns com os outros é uma das melhores virtudes e conquistas de um ser humano.  Estejam sempre iluminados, na graça, na fraternidade, e na paz de Deus, nosso Pai.

Marcio Salviano Vilela

R. VERMELHO 01 – FEV – 2011

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