sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Entrevista: Márcio Salviano Vilela (Acrópole n. 44)

Nesta edição segue uma entrevista com o músico e escritor ribeirense Márcio Salviano Vilela, autor de três livros que contam a história de Lavras e Ribeirão Vermelho.


·    Quem é Márcio Salviano Vilela?

É o pai da Leocádia Salviano Fráguas Vilela, minha querida filha. Eu nasci em Ribeirão Vermelho em 2 de janeiro de 1965. Sou de hábitos modestos e sempre procuro compreender minhas limitações e reconhecer minhas falhas na honestidade de minha consciência, ser aplicado, cortês e atencioso com as pessoas as quais me relaciono.

Estudei no Jardim da Infância Pedro Theodoro de Souza” e em seguida na Escola Municipal “Antônio Novaes” e na Escola Estadual “Honorina da Rocha Novaes”, em Ribeirão Vermelho. Nesse período, após atuar no quadro de amadores dos titulares do Ferroviário Esporte Clube Ribeirense – FECR, tornei-me jogador de futebol profissional da Associação Olímpica de Lavras – AOL (1982-1984).

Após terminar o 2.º Grau no Instituto Gammon de Lavras (1983-1985), por vontade própria, e induzido pelos meus pais e irmãos, passei a dedicar aos estudos e, em 1994, conclui o curso de Engenharia Agronômica pela Universidade Federal de Lavras – UFLA, sendo aluno da última turma a terminar o curso como ESAL, e a primeira a receber o diploma como UFLA, universidade na qual, em 2005, também recebi o título de pós-graduação em Planejamento e interpretação de atividades em áreas naturaisEcoturismo, exercícios técnicos que vem me proporcionando novos conhecimentos e desafios profissionais.

·    O que se recorda da época que estudava na ESAL/UFLA?

Durante o período universitário, participei de vários eventos culturais promovidos pelo Diretório Central dos Estudantes – DCE/ESAL, destacando-se a abertura da apresentação do grupo, Minas das Minas, da cidade de Paracatu (MG), no Anfiteatro de Química, e as cantorias promovidas no Salão de Convenções, com estudantes e músicos dos estados de Mato Grosso do Sul – Graziela, Flávio e Marcelo Brum; São Paulo – Luiz Marcelo “Passarinho” e João Camilo; e Minas Gerais – Isaías – in memoriam, além de produzir e apresentar com os universitários, Alexandre Gonçalves, e Paulo Gonçalves, o programa “Engenho de Cordas”, dirigido por José Cristino (in memorian) e levado ao ar pela FM Universitária nas tardes de domingo, com cantorias de Elomar Figueira Melo, Décio Marques, Tavinho Moura, Nilson Chaves, Toninho Resende, Rubinho do Vale, Saulo Laranjeira, Priscila e Ivan Vilela, e muito mais artistas anônimos do cancioneiro nacional.

·    E sobre suas atividades como escritor?

Sou autor de três livros, de produção independente, relacionados com a história das cidades de Ribeirão Vermelho, Lavras e região: 1.º Sobre Trilhos – Subsídios para a história de Ribeirão Vermelho: 1998; 226 p.:il (esgotado); 2.º Ementário da História de Ribeirão Vermelho: 2003: 256 p.:il. (esgotado) e o 3.º A Formação Histórica dos Campos de Sant’Ana das Lavras do Funil, 450 p.:il, lançado em 2007, todos pela editora INDI, da qual devo exaltar os nomes do Dr. Antônio Massahud  e  do Gerente de Produção Editorial, Moacir de Jesus, como forma de respeito e admiração pela experiência de vida de ambos, credibilidade e confiança no meu trabalho.


·    Qual foi a inspiração para começar a escrever sobre a história local?

Escrever o primeiro livro Sobre Trilhos – Subsídios para a história de Ribeirão Vermelho foi uma idéia interessante, porque foi concebida no frescor natural da busca do conhecimento histórico de minha querida cidade. E, na ocasião, duas obras de dois memoráveis escritores lavrenses, Hugo de Oliveira (in memorian) em “Os Caminhos de Josepha Campeira (1983) e Paulo de Oliveira Alves (in memorian) em Lavras nos Primórdios do Automobilismo (1992), foram responsáveis de grande importância pela minha motivação e entusiasmo, porque foram trabalhos que me ensinaram a apreciar, em toda sua plenitude, a beleza encerrada em um livro de teor histórico.

A grande realização ao escrever esses livros está na contribuição para o desenvolvimento da percepção das pessoas, fazendo com que elas possam buscar algum tipo de informação e desenvolver o seu próprio raciocínio histórico. Estes livros, associados às outras fontes e aos demais existentes, tornaram-se um instrumento de imprescindível importância na discussão, e difusão da educação do patrimônio cultural local, assim como para as ações de implementação de políticas públicas, facilitando a inserção dos municípios no processo de desenvolvimento sócio-cultural.  Temos que ser extremamente muitíssimo gratos com Deus, nosso Pai.

·    O que destacaria da história comum de Lavras e Ribeirão Vermelho?

Acredito que o que há em comum entre as histórias de Lavras e Ribeirão Vermelho, repousa nas correntezas das águas do Rio Grande, como unidade geográfica que atravessa o tempo e fecunda essas terras, e como vertente de montanhas, e colinas entre as extintas florestas da Serra da Bocaina, a sua margem esquerda, e as então, matas, da Serra do Senhor Bom Jesus, que posteriormente, passou a ser conhecida como Senhor Bom Jesus dos Perdões, à direita, e naturalmente, o seu contexto histórico compreendido na travessia do Rio Grande, nessas imediações.


Ribeirão Vermelho [M. S. Vilela, 1994]


As primitivas comunicações fluviais através do Rio Grande, carregavam canoas e alimentavam crianças, tanto com sua vizinhança, tanto com os lugares mais distantes, assim como a exploração da lavra de ouro, denominada de Real Grandeza, situada então nas barrancas do Ribeirão Vermelho, na Estrada do Madeira, representam processos históricos distintos que caracterizam a ocupação lenta e mansa desta zona.


Da colônia para o Império, em ambas as margens do Rio Grande, e mais propriamente no dito Fecho do Funil do Rio Grande, surge a necessidade da construção de uma ponte como evolução de uma travessia rudimentar para uma de segurança mais sólida, com tecnologias, da época, capaz de suportar carroças e animais, feita de ferro importado e madeiras.

No romantismo épico que nos remete a observação penetrante do amigo Eugênio de Souza, seria o Porto Alegre dos Namorados, com a inauguração oficial de uma navegação de 208 quilômetros rio abaixo, no Rio Grande, sucedida pela implantação da Cia. Estrada de Ferro Oeste de Minas – EFOM, em terras do Distrito de Perdões de Lavras, que, afinal, consolidou o território geográfico com a criação do Distrito de Ribeirão Vermelho, na margem direita do Rio Grande, englobando eixos ferroviários aos grandes centros no nascedouro da então, República do Brasil, e promovendo o aparecimento de uma nova cidade com organização político-administrativa própria, denominada de Ribeirão Vermelho.

·    E quais são seus projetos futuros?

No momento, estou escrevendo meu quarto livro, o terceiro a respeito da história de Ribeirão Vermelho, que tem como título definido – Minha Aldeia – resultado de três anos e meio de pesquisas no Cartório de Registro de Notas e Imóveis de Ribeirão Vermelho. Uma revelação baseada nas informações registradas naqueles livros fantásticos do cartório local, instalado em 1902, porém, o objetivo principal da interpretação desse trabalho não é a instrução, mas sim a provocação, avivando a curiosidade e o interesse do leitor para que ele se sinta o conquistador de seus novos conhecimentos mantendo o compromisso com a realidade existente entre os diversos fenômenos naturais, históricos e culturais de Ribeirão Vermelho. 

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