domingo, 15 de novembro de 2015

(15 de novembro) Major João Ferreira

Entre os conterrâneos, cuja memória perdurará através de muitas gerações lavrenses, ocupa lugar de primeira plana o nome do major João Ferreira de Aquino, o major Ferreira, como popularmente era conhecido.

Herdara ele de seu pai, o coronel Tomás de Aquino, todas as qualidades de caráter, que fizeram popularíssimo aquele antigo lavrense. Era bom, acessível, franco e generoso.

Naquele tempo os médicos de carreira não sobravam para a clínica sertaneja, como até hoje não chegaram ainda a certos lugares mais afastados dos centros populosos. A contingência de acudir aos enfermos fazia, então, que os homens mais inteligentes e altruístas do meio em que o clínico profissional faltava se dedicassem ao pesado mister de “aplicar a medicina”. O coronel Tomás de Aquino fora de número desses beneméritos, e o major Ferreira lhe seguira o generoso exemplo.

Farmacêutico licenciado e prático de medicina, o seu estabelecimento se tornou um centro de assistência pública nesta região; e o major Ferreira a todos atendia com desvelo e carinho, tendo sempre palavras de animação para todos os sofrimentos.

Cidadão, ele foi dos mais esforçados pelo progresso e engrandecimento de Lavras. Exerceu cargos públicos com rara dedicação. Foi vereador, presidente da Câmara, suplente do juiz municipal, e por vezes delegado de polícia.

A sua força moral era tamanha que em ocasiões extraordinárias a sua investidura da delegacia de polícia bastava para restituir toda a tranqüilidade ao município.

Morreu pobre o major Ferreira. Passara pela vida trabalhando para suavizar os sofrimentos dos outros e para melhorar a situação de todos, sem atender que a velhice lhe chegaria enferma e pobre.

Não legou bens de fortuna a seus descendentes, mas deixou-lhes a ufania de um nome querido e inolvidável.

Faleceu o major Ferreira no dia 15 de novembro de 1893, aos 75 anos de idade.

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Autor: Firmino Costa, Vida Escolar, n. 14.

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