sábado, 1 de agosto de 2015

"Minha Aldeia - A Pérola do Rio Grande", por Márcio Salviano Vilela

Márcio Salviano Vilela é um daqueles historiadores não-profissionais que consegue ser mais produtivo e relevante que muitos acadêmicos dos círculos universitários. Autor de várias obras de referência para a historiografia regional, eis que recentemente Márcio publicou mais um valioso trabalho sobre sua cidade natal, Ribeirão Vermelho. 

O livro "Minha Aldeia - A Pérola do Rio Grande. Apontamentos Históricos do Distrito de Ribeirão Vermelho, Comarca de Lavras, Estado de Minas Gerais, Brasil, 1901-1948", editado pela Indi (2014), se destaca à primeira vista pela dimensão: são 736 páginas! Seu conteúdo descreve com minúcia o processo de ocupação das terras adjacentes ao rio Grande na localidade outrora denominada Porto Alegre, que hoje é o município de Ribeirão Vermelho, um dos menores de Minas Gerais.

Esta obra é resultado de vários anos de pesquisa no Cartório de Registro de Notas e Imóveis de Ribeirão Vermelho, instalado em 1902. Segundo o autor,  "o objetivo principal da interpretação desse trabalho não é a instrução, mas sim a provocação, avivando a curiosidade e o interesse do leitor para que ele se sinta o conquistador de seus novos conhecimentos mantendo o compromisso com a realidade existente entre os diversos fenômenos naturais, históricos e culturais de Ribeirão Vermelho".

Entre os destaques do livro está o registro de centenas de nomes dos primeiros moradores da região, além da descrição de suas propriedades rurais ou urbanas e o histórico de suas transações. Como trabalho genealógico, "Minha Aldeia - A Pérola do Rio Grande" é uma obra fundamental a todos que possuem ascendência ribeirense: as citações de casamentos são fartas (precisamente, 313 enlaces!), além de anotações de descendentes e demais vínculos familiares.

Para quem ainda não possui o livro de Márcio Salviano Vilela, recomendo entusiasticamente sua aquisição!

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Como nota pessoal, fiquei grato em ler sobre meu trisavô, Joaquim Francisco Torres (1860-1934), proprietário de uma fazenda na Boa Vista, próximo à antiga cachoeira dos Uvás, onde atualmente se encontra a barragem da usina hidroelétrica do Funil. As páginas 226 e 228 descrevem o povoamento daquela região ribeirense que desde 1948 pertence a Perdões, onde se lê:

Em 11 de outubro de 1934, José Torres Sobrinho, Antônio Joaquim Torres, Antônio Caetano Pereira, Pedro Vicente Ferreira e Francisco Pereira de Alvarenga, residentes neste distrito, brasileiros, casados, lavradores, por procuração ao Dr. Adalberto de Salles, advogado, solteiro, conferiram poderes especiais para em nome de eles promover o inventário e partilha dos bens deixados por falecimento de seu pai e sogro, Joaquim Francisco Torres, por suas esposas, D. Josephina Lopes de Siqueira, Conceição Maria Torres, Anézia Torres de Souza, Odila Teodora Torres e Ana Torres de Souza.

Infelizmente grande parte dessas terras encontra-se submersa desde 2002 pelo lago do Funil, embora descendentes da linha primogênita de 4.ª geração ainda possuem algumas propriedades nas áreas emersas, revelando assim uma contínua presença familiar há cerca de 140 anos na antiga "Boa Vista".

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