sexta-feira, 15 de maio de 2015

(15 de maio) Carlota Kemper

Carlota Kemper foi uma grande professora americana que, junto de Samuel Gammon, fundou um renomado educandário presbiteriano em Lavras.

Charlotte, cujo nome foi aportuguesado
para Carlota, foi professora e missionária
presbiteriana em Lavras por 35 anos
Charlotte Kemper enquanto lecionava no
Mary Baldwin College (Augusta Female Seminary),
Virgínia, Estados Unidos


Mais extraordinária que as anteriores foi a terceira educadora da Igreja do Sul a vir para Campinas, Charlotte Kemper (1837-1927). Era neta de um coronel do exército prussiano emigrado para a Virgínia, onde Charlotte nasceu em 21 de agosto de 1837. Lotty, como era conhecida, recebeu sólida educação em seu estado natal, sendo o seu pai diretor da Universidade da Virgínia.45 De temperamento um tanto introvertido, era dotada de uma inteligência excepcional. Em 1882, aos quarenta e cinco anos de idade, enquanto lecionava no Mary Baldwin College, viu realizar-se o sonho de ser missionária educadora. Em resposta a um apelo do Rev. Edward Lane, decidiu vir ao Brasil com ele e sua família para substituir Nannie Henderson, que se achava doente.46 Dirigiu a escola de moças e foi a superintendente de compras, além de lecionar o que fosse preciso. Diz-se que D. Pedro II, em visita a Campinas, manifestou grande admiração por seu raro talento.47

Em dezembro de 1889, após um período de férias nos Estados Unidos, Charlotte regressou ao Brasil com o Dr. Lane e Mary Dascomb. Do grupo também fazia parte um novo missionário, Samuel Rhea Gammon (1865-1928). Charlotte o orientou no estudo da língua, foi revisora de seus sermões e artigos e daí em diante sempre esteve associada com ele na obra educacional.48 No final de 1892, por causa da febre amarela que assolava Campinas e que naquele ano ceifara a vida do Rev. Lane,49 o Colégio Internacional foi transferido para Lavras, em Minas Gerais, vindo a tornar-se mais tarde no Instituto Gammon. Em Lavras, Charlotte passou o restante da sua vida.50

Além de ser a tesoureira da Missão Sul51 e dirigir a nova escola, Charlotte gastava muito tempo em visitação e no trabalho evangelístico. Passou a ser conhecida do pessoal da missão como "Aunt Lotty" (tia Carlota), tamanha a sua bondade e solicitude – a "velhinha que andava depressa" sempre tinha palavras de carinho e incentivo para cada um.52 Sua bondade para com os candidatos ao ministério era proverbial e foram muitos os futuros líderes da igreja que passaram por suas mãos. Colaborou decisivamente com a escola, cada vez mais conceituada, e com a igreja, muitas vezes em meio a perseguições.53

Também era conhecida por sua versatilidade e grande cultura. Conhecia a fundo o latim, bem como o grego e o hebraico. Como passatempo, gostava de ler os clássicos latinos, resolver problemas de trigonometria e fazer cálculos. A história antiga e moderna era outra de suas especialidades. Foi considerada por muitos a mulher mais culta do Brasil. Quando a falta da vista começou a impedir-lhe de ensinar, passou a gastar grande parte do tempo em visitas. Charlotte faleceu aos 90 anos, em 15 de maio de 1927.54 Sua maior contribuição foi a influência benéfica que exerceu sobre várias gerações de jovens brasileiros.
Fonte:
Notas:
45 Sydenstricker, Carlota Kemper, 7-14.
46 Ibid., 21-25. A Comissão Executiva de Missões hesitou em aceitar uma missionária daquela idade, mas, tendo em vista sua excelente saúde, grande preparo, conhecimento de línguas e dedicação aos estudos, resolveu abrir uma exceção. Ibid., 22.
47 Ibid., 26.
48 Gammon, Assim Brilha a Luz, 44.
49 Inicialmente, Charlotte adoeceu e foi assistida pelo Dr. Lane, que muito orou por sua saúde. Tendo ela se restabelecido, o Dr. Lane adoeceu gravemente e, apesar dos cuidados recebidos, veio a falecer. Gammon, Assim Brilha a Luz, 54-55; Sydenstricker, Carlota Kemper, 29-30.
50 Ferreira, História da IPB, I:328-29, 489.
51 Tratava-se da South Brazil Mission, distinta da North Brazil Mission (Missão Norte), que atuava no nordeste, acima do Rio São Francisco. Em 1906, a Missão Sul dividiu-se em Missão Leste (oeste de Minas) e Missão Oeste (São Paulo e Triângulo Mineiro).
52 Charlotte era conhecida na escola e na cidade como "Miss Bondade."
53 Gammon, Assim Brilha a Luz, 64, 81-82, 84-86. Ver Ferreira, História da IPB, I:495-98. Em 1908, a Missão Leste deu à escola de moças o nome de Carlota Kemper. Ver o testemunho de sua ex-aluna Maria de Melo Chaves em Bandeirantes da Fé (Belo Horizonte, 1947), 107-108.
54 Sydenstricker, Carlota Kemper, 42-50, 88-95. Ver Ferreira, História da IPB, II:134-36, 262-65.

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