terça-feira, 9 de setembro de 2014

(9 de setembro) Maria do Carmo Goulart

Já devíamos ter prestado à memória de d.ª Maria do Carmo Goulart a homenagem, que hoje vimos render-lhe. Entre os que descansam na paz do Senhor, nenhum nesta cidade se lhe pode igualar no trabalho da instrução povo. Foi ela a maior educadora lavrense, foi ela a personificação da bondade servida por uma inteligência de primor.

Acontece que nos cometimentos da vida cabe de ordinário aos precursores, aos que primeiro abrem caminho, maior soma de trabalho, maior porção de sofrimento. Esses guardas avançados da civilização precisam de ser corajosos e abnegados, são entes excepcionais que sobre excedem a seus contemporâneos, aos quais passa muitas vezes despercebido o valor de tantos esforços empregados para o bem social! E crescem estes de importância quando se trata do meio principal da prosperidade de um povo, o qual para nós é a instrução.

Dona Maria do Carmo foi a verdadeira precursora da instrução em Lavras! Antes dela, sabemos nós, outros deram aqui a essa causa o seu trabalho, mas nenhum com tanta constância, entusiasmo, dedicação e desinteresse. Ela amava deveras a instrução, e a esta imprimiu aqui grande impulso com o seu colégio, mantido por entre sacrifícios, mas também sempre por entre animação e confiança no futuro. Admirável senhora, que venceu a sociedade de sua época, num tempo em que a mulher era criada aqui para o obscurantismo!

E admirável irmã! Morto seu ilustre pai, o dr. Joaquim Bueno Goulart Brum, em 2 de dezembro de 1874, ela tomou sobre si educar os irmãos. Com que de sacrifícios e de esforços levou ao fim tão nobre empresa, somente ela poderia contar, si a magnanimidade de seu espírito consentisse de sua parte vangloria e vaidade! Mais tarde, ela, que se conservara solteira, tornou-se também mãe de muitos de seus sobrinhos, a quem instruiu e educou. Eles aí estão, irmãos e sobrinhos de d.ª Maria do Carmo, honrando tão elevados intuitos com o seu saber e educação, com a sua distinta posição social.

Infelizmente para Lavras, d.ª Maria do Carmo mudou-se daqui, passando a residir em São José de Além Paraíba, depois em Leopoldina e mais tarde em Juiz de Fora, onde faleceu. Em todos esses lugares ela prosseguiu sua nobre missão de educadora, em todos manteve importantes estabelecimentos de instrução.

Não há exagero em dizer, assim se exprimiu o noticiarista da Folha de Lavras, que mais de mil alunas foram educadas por ela, um terço das quais gratuitamente.

Dona Maria do Carmo Goulart faleceu em 9 de setembro de 1905.

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Autor: Firmino Costa, Vida Escolar, n. 16.

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